...e eu só queria chegar ali, às tuas mãos.
Afastas-te de mim, agarras num livro e segues para o sofá .
Sentas-te no lugar que eu costumo ocupar.
Sabes que o lugar é meu porque sempre me disseste para não arranhar o cabedal daquele lado...mas é ali que eu gosto de estar.
Abres o teu livro e folheias ate ao marcador;
Eu no chão a ver.
Começas a ler a partir dessa pagina;
Eu no chão a ver.
Olhas para mim pelo canto do olho;
Eu vi que olhaste pra mim.
Considerei isso um desafio e num único movimento saltei para cima do sofá, enterrei as unhas na almofada, dei uma volta sobre mim próprio e tentei subir-te para o colo através do pequeno espaço entre o teu braço e o teu colo.
Como sempre, tu fechaste o espaço de forma a não conseguir entrar ali, entrar em ti...
Já não sei se preferes ler o livro ou eu...
Não desisto...
Subo para as costas do sofá e silenciosamente aproximo-me do teu lugar... pata atrás de pata, garras retraídas, movendo-me baixinho como se estivesse a caçar (e estou).
Aproximo-me de ti, do teu cabelo e aguardo um momento antes de me mover outra vez...sei que sabes que estou ali...
Sei que me sentes ali...
(to be continued)
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11.12.09
8.12.09
Black - the Cat.

Levanto-me da minha casinha de corda gasta pelas unhas e estico o corpo esguio ate eriçar todos os pelos da cauda.
Encolho-me e enrolo o corpo, sacudindo as orelhas numa onda uniforme que se propaga ate ao ultimo pelinho das patas.
No silencio do movimento acordo-te, sem querer, com o som do meu guizo metálico.
Enrosco-me...dou duas voltas à almofada e com as unhas agarro e solto o tecido que a cobre num movimento síncrono de como quem amassa pão.
Sinto-te aproximar e largo um ronronar tímido...quase imperceptível, enquanto me viro rapidamente e corro silenciosamente para as tuas pantufas com bolinhas que tanto gosto me dão a mordiscar.
Dou duas ou três pantufada sem usar as unhas, uma volta à perna esquerda e outra volta contraria na perna direita... ronrono...
Sabes o que quero...mas não o fazes... gostas de sentir a fricçao do meu corpo na tua pele...preferes sentir-me mais uns segundos...
Impaciente como sempre tento subir ate aos teus braços à força de unhas cravadas na ganga já marcados de outras tentativas infrutíferas.
Só quero chegar ali acima, agora, para sentir um colo quente e uma mão que me penteia o pelo desde a cabeça, ate à cauda que se levanta para te fazer lembrar que ali acabou o gato e tens de recomeçar novamente.
(To be continued)
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